Autor do Mapa da Violência alerta para crise afetar a segurança

Em reportagem para O Globo, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz adverte para os problemas de segurança que podem se originar da crise econômica brasileira.

Ele é o autor do Mapa da Violência no país, desde 1998, e coordenador de estudos sobre Segurança Pública da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). Segundo o sociólogo, em geral, o crime contra a propriedade, como roubos e furtos, tende a aumentar com as crises econômicas.

Confira algumas perguntas respondidas por ele:

Que tipo de impacto a crise econômica do país pode ter na Segurança Pública?

Essa crise é muito preocupante para a Segurança Pública. Há muitos anos não tínhamos a crise que temos neste momento. O mais perto que temos como exemplo é a situação de Alagoas, que, em crise em meados da década passada, teve uma greve prolongada da polícia, durante meses a fio. Os policiais praticamente sumiram das ruas, e houve aumento de todos os tipos de violência. Alagoas, que não era tranquila, mas estava do meio para baixo no ranking, subiu para o topo do Mapa da Violência. Os assaltos explodiram. A bandidagem tomou as ruas porque não havia praticamente atividade de repressão. Meu temor é que, neste momento, aconteça mais ou menos isso. Alguns estados estão sem dinheiro para gasolina, para patrulhar, para repor as saídas por aposentadorias e outros motivos. Vai haver um enxugamento no quadro e uma crise nas atividades de repressão e prevenção em muitos estados.

A crise, além de reduzir os investimentos na Segurança, leva a população a cometer mais crimes? Há relação direta?

Há vários estudos nessa área, comparando o ciclo econômico e o incremento da criminalidade. Em geral, o crime contra a propriedade, como roubos e furtos, tende a aumentar com as crises econômicas. Não aumenta tanto o crime contra a vida. Nesse caso, não há uma relação direta. Tem que haver um tempo de maturação da crise para se verificar um incremento nos crimes contra a vida. Não é imediato. Mas o crime contra a propriedade é quase imediato. Um estudo grande observou essa relação na Região Metropolitana de Belo Horizonte, há uns seis ou sete anos.

Mesmo com aumento gradativo dos investimentos em Segurança, a violência só aumenta. Investimos mal?

Em geral, o gasto público com Segurança Pública vai para a parte mais ostensiva, de equipamentos, de infraestrutura, de viaturas, da estrutura das delegacias e carceragens. Pouco, no geral, é aplicado em atividades de inteligência e menos ainda em atividades de prevenção da criminalidade. Não há grandes investimentos em sistemas informatizados, na melhoria da comunicação de dados entre as instituições, no tratamento de informações sobre criminalidade. Isso não é muito priorizado. Nessas áreas, importantes, não estamos muito bem. Nossos estudos são escassos para destrinchar a questão da criminalidade atual e aprender como combatê-la.

 

Leia mais sobre esse assunto na matéria original em ‘Essa crise é muito preocupante para a Segurança’, adverte autor do Mapa da Violência

 

 

vizincbr

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *